Recordando Dublin - Cap: 4 - A Kitnet e o Apartamento

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Quando comprei o meu pacote para a Irlanda, ele me dava o direito de morar por uma semana em um dos apartamentos que a agência de viagem tem em Dublin. O apartamento era confortável e eu o dividiria com uns gaúchos gente-boa que também tinham chegado lá recentemente. Porém, como eu passava a maior parte do tempo com Léo e Raoni, resolvi que seria melhor eu deixar a residência estudantil e ir morar com eles na kitnet que eles tinham alugado.

Para ser sincero eu tomei essa decisão após a bebedeira da noitada relatada no último texto. Como a kitnet dos dois era próxima do pub onde fomos, decidi dormir lá. Acordei de manhã tremendo muito e percebi que ao ir pra cama, o álcool não me deixou perceber que um simples lençol não seria suficiente contra o clima irlandês. Mal o sol raiou, o frio de 1 grau cobrou seu preço e retomou minha sobriedade. Pensei “putz, preciso trazer minhas coisas pra casa dos caras… meu edredom principalmente.”

A kitnet era algo temporário. Faltava ainda um membro no nosso “Projeto Irlanda”. Nosso amigo Chatuba (vulgo Thiago) estava para chegar dentro de uns dias e assim que isso acontecesse mudaríamos para um apartamento decente.

Aqueles dias na kitnet até que foram interessantes, nossa vida em república havia de fato começado. E com ela a picuinha diária: “Quem vai comprar comida?” “Quem vai cozinhar?” “É a vez de quem lavar a louça?” “Quem ainda não aspirou o carpete?” E por aí vai…

A nossa alimentação era exemplar, a típica e tradicional cozinha republicana: macarrão, salsicha e cerveja. Mentira. As vezes comíamos pizza. Descobrimos um lugar perto que tinha uma boa e barata. O problema era a briga para ver quem iria na rua comprá-la. O frio castigava e era um sofrimento sair de casa. Resolvíamos esse imbróglio do modo mais honesto possível: na adedonha.

Armário de república é uma beleza.Armário de república é uma beleza.

Falando em comida, os supermercados irlandeses continuavam nos surpreendendo. Há algumas ruas em Dublin que os supermercados e lojas de conveniência são literalmente lado a lado. É bizarro e surpreendente como os preços são diferentes. No supermercado X um produto tal custa 1 Euro. No supermercado Y (que é vizinho) esse mesmo produto custa 3 Euros. Não demorou para acharmos o melhor lugar para fazermos nossas compras.

Desconfiávamos que a kitnet era meio mal-assombrada. Um dia Léo ficou trancado no banheiro (tivemos que arrombar a porta), num outro estávamos vendo filme quando a descarga da privada caiu sozinha, fazendo um grande barulho. Uma outra vez percebemos alguns símbolos estranhos que estavam riscados na mesa da cozinha, dentre eles o da Bruxa de Blair. Além disso, o cinzento clima irlandês e uma velhinha meio esquisita que morava no primeiro andar deixavam a coisa toda ainda mais estranha. Para isso só existia uma solução: beber.

Passaram alguns dias e como Chatuba já estava pra chegar, decidimos procurar com mais afinco o nosso lar definitivo. Não demoramos para encontrar um que se encaixava nas características que queríamos (bom preço, boa localização e de certa forma espaçoso). Ligamos para o proprietário, marcamos uma visita e mal entramos no apartamento vimos que ali seria nossa casa. Coisa de feeling.

Fechamos o negócio, deixamos as coisas de qualquer jeito no quarto e fomos comprar algumas cervejas para comemorar. O cheiro de tinta fresca incomodava um pouco, mas nada que tirasse nossa alegria e empolgação. Ficamos bebendo já fazendo planos de como poderíamos utilizar o apartamento da melhor forma. Eu saboreava minha Heineken e viajava pensando no meu futuro em Dublin, mas realmente eu nunca poderia imaginar a quantidade e a intensidade das coisas boas que iriam acontecer naquela sala…

A sala!A sala!

Cheers