Rio 2016: show das poderosas ou show de horrores?

Inevitável comparar o resultado do Brasil nos campeonatos mundiais de atletismo e de judô que ocorreram neste mês de agosto, no primeiro ano do ciclo olímpico para os jogos do Rio, em 2016.

No judô, com cinco medalhas em sete categorias individuais femininas disputadas, além do segundo lugar por equipes, as meninas fizeram no Maracanãzinho o verdadeiro ?show das poderosas?, estrelado por Rafaela Silva (ouro), Érika Miranda e Maria Suelen (prata), Sarah Menezes e Mayra Aguiar (bronze).

Somada a prata de Rafael Silva, o Baby, na categoria dos Pesados, o Brasil concluiu sua melhor participação em campeonatos mundiais, começando a colher os frutos de uma renovação iniciada há cerca de seis anos, tendo como meta os Jogos Olímpicos de 2016.

A média de idade da equipe brasileira é de apenas 23 anos, e os atletas já estão voando! Com um prazo de três anos para desenvolvimento técnico e acúmulo de experiência em competições internacionais até a Olimpíada no Rio, tudo indica que o judô subirá no pódio e fará nossa bandeira tremular diversas vezes em 2016.

Rafaela Silva comandou o "show das poderosas"Rafaela Silva comandou o ?show das poderosas?

O judô é um exemplo de planejamento, foco em resultado, competência técnica e bom uso do dinheiro público, que gera ídolos de comunidades carentes e promove a inclusão social. Já no atletismo vivenciamos um ?show de horrores?. Em nove dias de competição em Moscou, onde foram distribuídas 142 medalhas em 47 modalidades, entre competições masculinas e femininas, o Brasil não beliscou nem umazinha de bronze. Um mico!

Pior do que isto, em sua última chance de conquistar uma medalha, a equipe brasileira deixou o bastão cair na final do revezamento 4×100 m feminino e foi eliminada. O episódio constrangedor expôs um racha na equipe, com acusações mútuas que lançaram dúvidas (para mim são certezas) quanto a qualidade do trabalho de preparação do atletismo do Brasil rumo aos Jogos Olímpicos de 2016.

Vanda Gomes, que não conseguiu segurar o bastão na última passagem, feita pela atleta Franciela Krasucki, justificou o erro dizendo que os 40 dias na Europa não foram aproveitados para treinamento, e que comeram e dormiram mal no período. Depois foi ameaçada e afastada pelos dirigentes por indisciplina. A Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) chegou a anunciar ainda o corte da bolsa do governo para as atletas participantes, e depois recuou diante da repercussão negativa da medida.

A queda do bastão fechou o "show de horrores" do atletismoA queda do bastão fechou o ?show de horrores? do atletismo

Nunca o atletismo teve tanto dinheiro como agora! Somados patrocínio da Caixa Econômica Federal, Lei de Incentivo ao Esporte e outras fontes de renda, são quase R$ 31 milhões por ano.  Se considerarmos que a delegação brasileira levou apenas 32 atletas para o Mundial, podemos concluir que foi gasto quase R$ 1 milhão para cada atleta competir em Moscou, e voltar de mãos vazias. Dinheiro jogado pelo ralo, competição em que o Brasil é imbatível!

Limitados tecnicamente, desestruturados psicologicamente, sem entrosamento entre atletas, comissão técnica e cartolas, com uma equipe envelhecida, a impressão que fica é que nesta passagem entre os Jogos Olímpicos de Londres e do Rio, onde os dirigentes deveriam utilizar os recursos abundantes para promover uma renovação e medalhar em casa, o atletismo brasileiro deixou cair o bastão!