São João acende a fogueira do meu coração!

Olha a cobra! É mentira!

Caminho da roça!

Balancê!

Os cavalheiros cumprimentam as damas!

Todo ensaio de quadrilha era a mesma coisa e sempre a mesma delícia! Não sei sob a ótica dos meninos, mas vou contar um pouco do que era pra mim, o clima de São João!

Começaremos do princípio, como é o recomendado! A escolha do par da quadrilha! O que era aquilo. Parecia que a gente estava escolhendo um marido pro resto da vida? Nosso maior pesadelo era quando a professora dizia assim: ?Esse ano vai ser sorteio!? No mínimo, dava dor de barriga. Mas quase sempre o critério de escolha das professoras era a altura do casal. Aí a coisa complicava. Na infância eu era considerada alta, a última da fila? Logo ficava com o menino mais desengonçado ou o repetente da sala! Uma maldição! Mas havia outro momento importante! A escolha da noiva? Nunca tive chance nesse quesito! Vai ver era um aviso de que eu não seria uma moça pra casar! Mas doía no fundo da minha alma, quando o anúncio acontecia?

Bom, mas como diria uma amiga minha? O importante é ter saúde, hein?

Quando os ensaios começavam, os problemas eram queimados vivos numa fogueira de São João! Além disso, tinha os bastidores da festa. Era nossa a responsabilidade pela venda de votos da miss caipirinha. A sala toda trabalhava para uma aluna, quem vendesse mais votos seria a classe vencedora e o dinheiro era investido em algum equipamento de ensino pra escola!

Sem falar nas prendas. A gente saia de porta em porta pedindo prendas e qualquer mantimento que pudesse ajudar na preparação de doces e salgados, além do quentão da quermesse!

Quando chegava o grande dia, eu já amanhecia sem caber dentro de mim de tanta ansiedade. Mal esticava a cama e o vestido já estava sobre ela. Na hora de me vestir era um ritual. Afinal, quase nunca colocava uma meia-calça, anágua era coisa de cinema e o chapéu de palha com aquelas tranças era chique de doer!

No dia do arraiá nada dava errado, tudo perfeito, do pão com molho de carne moída até a hora de entrar no túnel com o par feio que a professora escolhia pra mim!

E hoje revivo tudo isso com os meus filhos? Mas com a possibilidade de fazer o bigode e a barba com rolha queimada para os meninos e com a felicidade de ter visto a Júlia de noivinha, como eu sempre sonhei ser um dia(A foto é da minha filhotinha)! Ainda bem que esse ano tem mais e sempre terá e Viva São João!

Beijos

Mari