“Se você não entende de Pessoas, Você não entende de Negócios.” Por que os personagens dos Estúdios Disney não tem mãe?

Pessoas x Negócios I

“Se você não entende de Pessoas, Você não entende de Negócios.”

Por que os personagens dos Estúdios Disney não tem mãe?

Todos que tiveram oportunidade de conviver comigo profissionalmente sabem o quanto valorizo o lado humano da gestão, fruto de um aprendizado recheado de erros e acertos. Apesar da evolução da tecnologia e dos processos de trabalho, não tenho dúvidas que tudo se realiza por pessoas e para as pessoas, e todo administrador tem que entender de pessoas tanto para ter relações pessoais saudáveis como para gerir sua empresa e seus negócios.

Durante esta semana vivi três episódios que reforçaram este conceito. O primeiro deles foi quando assisti a uma breve palestra online de Simon Sinek, autor de livros de liderança e motivacionais e blogueiro do Site Start with Why (Comece com o Porquê) baseado no seu livro de maior sucesso “Start With Why: How Great Leaders Inspire Everyone to Take Action”, o qual foi lançado no Brasil pela editora Saraiva como “Por Quê? – Como Motivar Pessoas e Equipes A Agir”. O nome da palestra é Simon Sinek: If You Don’t Understand People, You Don’t Understand Business dont-understand-business (Simon Sinek: Se você não entende de pessoas, você não entende de negócios) cuja tradução peguei emprestada para compor a parte inicial e principal do título deste breve artigo.

Nesta palestra endereçada a designer gráficos em uma das edições da 99U Conferences, ele traça uma longa linha de argumentos que culmina em uma conclusão óbvia, mas que raramente nos damos conta: 100% de nossos colaboradores, 100% de nossos fornecedores, 100% de nossos clientes são pessoas e quase 100% de nossos relacionamentos são com pessoas (sim, considero os animais de estimação nesta matemática das relações humanas, por isto o “quase”). Podemos ter a melhor tecnologia, o melhor produto, a mais rápida e confiável logística, mas se nós, sendo empresa, proprietários ou administradores não entendemos de pessoas como vamos interpretá-las para conquista-las seja para a realização de nosso objetivo em comum ou para convencê-las de que podemos satisfazer suas necessidades?

O segundo episódio foi durante a palestra do nadador e medalhista olímpico Fernando Scherer, o Xuxa que foi proferida durante o 46º Enconampe (46º Congresso Catarinense da Micro e Pequena Empresa e do Empreendedor Individual). Scherer narra sua trajetória de vida, relatando vários acontecimentos, entre os quais, me chamou a atenção dois momentos bastante difíceis em que, na minha forma de entender, foram vencidos porque as pessoas compreenderam que acima de ser um atleta excepcional, ele era um ser humano.

Irei resumir o primeiro acontecimento mais ou menos assim: em um momento da carreira antes de um campeonato mundial Scherer estava esgotado e estressado, e queria parar de nadar. Seu treinador à época (que ele carinhosamente chama de Carlão) lhe disse simplesmente, algo como “OK. Sem problemas.” Scherer ficou meio desconcertado com a reação e resposta, foi para casa, porém, voltou normalmente aos treinos no dia seguinte, e após o treino o treinador o chamou à sua sala e disse que ele (Scherer) não deveria mais vir aos treinos e explicou “… os outros atletas estão aqui com um objetivo e você não tem objetivo…” completando a seguir: “Quando você tiver um objetivo, você pode voltar”. Scherer respondeu que o que ele mais gostava na vida era nadar e que seu objetivo era ser campeão mundial. Á partir deste momento, ele retomou os treinos e foi campeão mundial dos 50m livres.

O segundo acontecimento narrado por Scherer que me chamou a atenção (descrito aqui também resumidamente) aconteceu já nas Olimpíadas de Sydney no ano 2000, onde ele foi competir lesionado e não estava bem. Durante os treinamentos Gustavo Borges, seu companheiro de seleção brasileira e colega de time da modalidade 4×100, percebeu o fato  e propôs que ele (Gustavo) abriria a prova sendo o primeiro a cair na água e Scherer a fecharia (aqui vale uma explicação: no nado em equipes, os dois nadadores mais rápidos, abrem e fecham a competição pelo time, sendo um o primeiro e o outro o último a cair na água. Durante todo o tempo em que competiram juntos pelo Brasil, Scherer foi sempre o que abriu e Gustavo o que fechou as provas pelo Brasil, tendo a equipe ganho várias medalhas.), Após ouvir a proposta de Gustavo, Scherer não concordou e disse: “…eu vou melhorar meu tempo…” Gustavo aceitou e disse: “OK. Eu confio em você”. Resultado: Medalha de bronze olímpica para o Brasil na prova.

Mesmo tendo a técnica, Scherer precisou que seu lado humano fosse entendido e incentivado nestes dois episódios, para ter o desempenho de atleta de alto nível.

E o porquê razão a frase “Por que os personagens dos Estúdios Disney não tem mãe?” está no título deste artigo?

Este é o terceiro episódio acontecido na semana e  que me chamou a atenção para o assunto.

Li em um dos newsletters que assino que Don Hahn, produtor executivo de “Malévola” (e que também trabalhou em clássicos da Disney como “A Bela e a Fera” e “O Rei Leão”) em uma recente entrevista para a Revista Glamour contou que as razões pelas quais os filmes Disney normalmente não terem mãe são duas: os filmes têm somente de 80 a 90 minutos e normalmente tratam do processo de crescer e amadurecer do personagem principal, sendo mais prático que os personagens não tenham mãe. A outra se deve ao fato de que no começo da década de 40, Walt Disney comprou uma casa para seus pais e pediu para funcionários dos Estúdios Disney fossem até a casa para consertar o aquecedor, mas quando seu pai e sua mãe se mudaram para a casa, o aquecedor teve um vazamento de gás e a sua mãe morreu. É bastante curioso que uma tragédia pessoal ocorrida nos anos 40 do século passado com o fundador de um império do entretenimento mundial afete os produtos que consumimos até hoje.

E bastante claro que tudo que fazemos é com pessoas e para as pessoas, e se não as entendemos, suas razões, motivos e sentimentos não entenderemos suas ações e reações e não entenderemos de negócios.