Sempre ao seu lado!

Passar da adolescência para a fase adulta implica em tanta responsabilidade, tantas mudanças que o umbigo se torna a coisa mais importante do mundo. É o meu trabalho, a minha ginástica, o meu filho, a minha faculdade, a minha pós, o meu namorado, o meu marido, a minha mulher? Enfim? Nessa escalada frenética por conquistar uma vida adulta de sucesso, muitas vezes deixamos para trás a nossa base!

Esquecemos dos nossos pais, com quem tivemos os melhores natais, as melhores férias, as mais divertidas idas ao supermercado, o melhor colo durante o sarampo ou as crises de bronquite, a mão certeira na hora do merthiolate, o braço firme nos primeiros passos, a entrega do primeiro absorvente, da primeira camisinha, as palmadas que nos educaram, poderia passar o dia falando de tudo que uma mãe e um pai fazem pelos filhos.

A dedicação deles é tão grande que a gente não percebe que o tempo está passando para os nossos pais, que eles passaram a tomar remédios quase todos os dias, que os óculos são para o resto da vida, que o açúcar está proibido, e que a solidão é uma ameaça constante, mesmo a dois!

Nesse fim de semana estive na casa dos meus pais, porque nossa família atravessa um período muito difícil. Minha irmã mais nova, de 31 anos é paciente renal e está bastante debilitada. Diante da situação, resolvi observar o meu pai e a minha mãe. Enxerguei coisas que a minha vida egoísta não me deixava ver.

Primeiro os cuidados não mudaram de mãos. Os dois ainda se propõem a cuidar dos filhos como antes. Os sinais da idade são bem evidentes. Minha mãe continua mais valente que o meu pai, o sofrimento está estampado no rosto deles e o mais importante: Não há nada mais doloroso do que ver um pai e uma mãe diante de uma doença que ameaça a vida de um filho.

Meu maior lamento é saber que voltar no tempo e viver integralmente ao lado deles agora é impossível, mas quero deixar o meu umbigo de lado um pouco estar mais presente e assim como eles: acreditando em milagres!