The Rolling Stones aos 50 : Continua à sombra dos Beatles?

Rolling Stones

Um artigo de John Covach no Huffington Post (obrigado, Edílson) pergunta se os Stones estariam novamente sob a sombra dos Beatles, 50 anos depois. E a questão é pertinente, sem dúvida. Mesmo na ativa, com turnê e álbum comemorativo, a impressão é que a primeira aparição dos Fab Four na TV dos EUA rendeu mais citações e comemorações do que o cinquentenário do primeiro álbum da banda de Mick Jagger e Keith Richards, completado em maio.

E por aí já temos uma ideia do motivo. Sempre que se fala em Stones, os holofotes recaem sobre a dupla. George Harrison, com seu virtuosismo demonstrado em canções como While My Guitar Gently Weeps ou a onipresente Something é um complemento mais que luxuoso à genialidade de Lennon e McCartney. Se Charlie Watts é um excelente baterista, o carisma de Ringo conseguiu fazê-lo rivalizar em popularidade com os dois beatles mais reconhecidos –e note que a produção de Ringo como compositor é bissexta.

Além disso, os Beatles não têm que conviver com o fantasma de Brian Jones nem com o show sangrento de Altamont, apesar da loucura de Charles Manson, que creditou a Helter Skelter seu impulso assassino e a chacina que vitimou a esposa de Roman Polanski.

Sobretudo, os Beatles foram capturados encaixotando os instrumentos no auge. Depois de Abbey Road, um álbum grandioso, e apenas oito anos de registros fonográficos, os meninos de Liverpool resolveram interromper uma trajetória avassaladora.

Seus irmãos de Londres, tão próximos na vida real quanto distantes na imagem pública, contestadora e rebelde em contraponto aos bons moços elaborados por Brian Epstein, continuaram a sofrer as glórias e agruras de quem sobreviveu ao punk, à disco, à new-wave e todos os movimentos e modismos surgidos nos últimos cinquenta anos.

É nítido que, mais do que a música e a atitude do começo, Mick, Keith, Ron e Charlie estão rodando o planeta em turnê e se reunindo erraticamente para gravar movidos pelo dinheiro que continua entrando em quantidade espetacular em suas contas.

Paul e Ringo, os integrantes remanescentes do quarteto fantástico, também. A diferença é que o fazem às expensas de sua carreira solo. A marca Beatles só fez ganhar em mística e popularidade, intacta desde que foi congelada no topo do Himalaia do rock, em 1970.