TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA - TAG

Profa. Dra. Vilma Lúcia Mendoza

O Transtorno de ansiedade generalizada (TAG) se constitui hoje uma das patologias mais encontradas na clínica. Embora durante muito tempo não se lhe tenha dado a devida importância, afirmando-se que se tratava de um transtorno leve e atribuindo-se ao próprio individuo a responsabilidade pelo seu controle, atualmente se considera que é uma condição crônica importante, associada a uma alta morbidade e a custos individuais e sociais importantes. Estatísticas em vários países mostram que entre os pacientes que procuram os serviços médicos com frequência, 20 a 35% são portadores de TAG.

O principal sintoma da ansiedade generalizada é uma tensão constante e a incapacidade de relaxar. O individuo está constantemente ruminando suas preocupações excessivas e, com frequência, sem motivos reais. Curiosamente, se o paciente percebe, em um determinado momento, que não estava preocupado, passa a se preocupar com isso, buscando imediatamente uma razão para voltar ao seu estado habitual de tensão, como se não tivesse o direito a tranquilidade e devesse permanecer sempre alerta São pessoas que necessitam “ter certezas”, que experimentam alguns minutos de espera como “uma eternidade”, que formulam a mesma pergunta várias vezes principalmente se a resposta tem quaisquer conotações tranquilizadoras. É como se, com sua insistência, pudessem descobrir algo que o interlocutor esteja escondendo ou omitindo e dessa forma possam ter um motivo real de preocupação.

Pessoas portadoras de ansiedade generalizada sentem-se quase sempre incompreendidas porque os motivos de suas ruminações não são considerados importantes por outras pessoas. Dificuldades para conciliar o sono, transtornos de memória, tensão muscular são outros sintomas frequentes. Observa-se que pacientes com TAG tem maior vulnerabilidade do que a população geral para ter outras patologias pertencentes à esfera da medicina interna.

Uma das características mais marcantes da personalidade dos portadores de TAG é a necessidade de manter o controle sobre tudo e sobre todos. Muitas vezes esse controle é exercido de maneira velada, sob a forma de cuidado afetuoso. Podem ser pessoas meigas, afetuosas e solidárias . No entanto, quando alguém consegue perceber suas características controladoras o individuo se sente ofendido e incompreendido.

A ansiedade se manifesta em três dimensões: neuroendócrino, visceral e em nível psíquico. O nível neuroendócrino diz respeito aos efeitos de alterações de substâncias hormonais ou de neurotransmissores cerebrais importantes para o bom funcionamento do organismo em suas diversas dimensões. No plano visceral a ansiedade corre por conta do Sistema Nervoso Autônomo (SNA), o qual reage se excitando (sistema simpático) na reação de alarme ou relaxando (sistema vagal) na fase de esgotamento. Na consciência a ansiedade se manifesta por dois sentimentos desagradáveis: 1) através da consciência das sensações fisiológicas de sudorese, palpitação, rubor, inquietação e; 2) através da consciência de estar nervoso.

Diversos estudos mostram um aumento de patologias somáticas entre os portadores de TAG entre as que se destacam as cardiopatias, as pneumopatias, as enfermidades digestivas e processos oncológicos.

Embora a ansiedade exista com o próprio ser humano e tenha sido um fator importante para o desenvolvimento da sociedade, o ritmo de vida da sociedade contemporânea, trouxe a substituição da solidariedade pela competição, as exigências de um desempenho cada vez maior, incertezas e inseguranças sociais e, em consequência, uma ansiedade que existia a serviço da sobrevivência passou a ser uma condição da existência. Nessas circunstâncias o stress passou a ser o representante psíquico da ansiedade determinado por questões pessoais e emergindo de acordo com as formas de relação estabelecidas na família, no trabalho, na sociedade. Um evento é considerado estressante não apenas por sua natureza, mas depende do significado atribuído ao evento pelo individuo e dos recursos psíquicos que ele tenha para enfrentá-lo, de suas defesas e de seus mecanismos de enfrentamento. Ou seja, a estrutura interna do sujeito é importante na construção do stress.

Durante muito tempo os benzodiazepínicos eram os únicos psicofármacos utilizados no tratamento dessa patologia. Atualmente, outros remédios são empregados em indivíduos portadores de TAG com excelentes resultados.

Doutora em Psiquiatria pela Universidad Complutense de Madrid – Espanha
Professora de Psiquiatria da Universidade Federal de Campina Grande.

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