Três macacos sábios na terra dos factóides

Fala, macacada!

Com a conclusão da reforma da estrutura física do Jardim Zoológico de Niterói destinada à reabilitação de animais silvestres vítimas de maus tratos, que foi totalmente ampliada e modernizada, o apoio à reativação dos trabalhos desenvolvidos pela Fundação Zoonit é quase uma unanimidade.

Digo que é quase unanimidade mesmo sem ter ouvido qualquer opinião contrária à reabertura do Zoo para estes fins, porque já foi sentenciado por Nelson Rodrigues que ?toda unanimidade é burra? (com todo respeito ao meu amigo equus africanus asinus *aí da foto), e o que não falta é visão e inteligência neste projeto que visa resgatar os bichinhos que estejam correndo risco por conta de desmatamentos, poluição, tráfico de animais e outras maldades, dando em seguida o tratamento adequado aos feridos, e os preparando para que possam ser devolvidos de forma segura ao *habitat natural.

Este, porém, não é o único motivo para a ressalva, muito menos o principal. É que depende do Ibama a autorização para o início dos trabalhos, e é justamente deste órgão do Governo Federal que vem as informações mais lacônicas e burocráticas que li até agora nos jornais. Para O Globo, por meio de sua assessoria de imprensa o Ibama informou que foi feita uma ?minuta de um termo de cooperação técnica? com o Inea, órgão equivalente ao Ibama no âmbito estadual, que passaria a ser o novo responsável pelo licenciamento de zoológicos. ?Após uma série de reuniões a minuta está pronta, mas se encontra em análise no setor jurídico, sem previsão de aprovação?, foi o que explicaram.

Novamente alertado por Nelson Rodrigues, quando disse que ?o pior cego é o surdo?, não me contentei com a resposta e fui pesquisar o significado real daquela frase no Dicionário de Burocratês, *obra imprescindível, livro de cabeceira para quem não gosta de ser enganado. Descobri que a sentença é utilizada de forma recorrente por autoridades em situações em que não há boa vontade para se tomar decisões. Aí, para amenizar ou minimizar os efeitos da inércia, é criado um *factóide, que neste caso é a tal ?minuta de termo de cooperação técnica? que, no fundo, não é nada!

Como animal de alma pura que sou, credito este factóide mais ao *modus operandi *do Ibama, que deve ter uma assessoria de imprensa treinada para dar de ombros aos questionamentos dos jornalistas. Sendo esta a melhor das hipóteses, praticamente podemos descartar as possibilidades de estarmos diante de um órgão paralítico, né? E também podemos zerar as chances deles atuarem contra o projeto, ou a sigla que os identifica não seria a abreviação para Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis.

Melhor assim? afinal, como nos ensinam os Três Macacos Sábios do templo japonês, se os homens não olhassem, não ouvissem e não falassem o mal alheio, viveríamos de forma harmônica em comunidades pacíficas. Será que funciona aqui também?