TROCA-TROCA

Meus pais se conheceram, se apaixonaram e logo se casaram. Um ano depois do enlace nasceu a primeira filha e vieram mais 4. Ele, policial rodoviário e ela, professora primária, sendo assim sempre tivemos uma vida digna, porém orçamento apertado, onde extravagâncias não eram permitidas. Tínhamos sim a roupa melhorzinha de sair, eu disse A ROUPA, isso mesmo era uma só. Assim como aquele sapato, sem plural.

Logicamente, como toda família com esse perfil, o que um filho usava depois passava pro irmão. Assim fomos crescendo? Até minha irmã mais velha arranjar o primeiro namorado. A cada sexta-feira, que era quando o pretendente chegava na cidade, começava a corrida aos armários! A primeira opção era o da minha mãe, depois o dela, o meu e o das primas, inclusive as de terceiro grau.

Nasceu aí um costume familiar: o troca-troca!  Tudo que é meu é dela, da minha mãe, da minha outra irmã, das primas, das amigas e vice-versa.

Sempre que compro uma roupa, aviso. Minha irmã faz a mesma coisa! Liga pra mim e fala: Adquiri uma peça que tava faltando pra gente. Quando você precisar de um pretinho de manga comprida, pode contar com a nova aquisição.

O legal é que ninguém se faz de rogado. Precisou, a gente pede. Adoro quando uma amiga me liga e fala: Mari tenho um casamento super chic, você pode me emprestar aquele seu vestidinho azul marinho, tudo de bom?

E isso vale pra tudo, inclusive o meu xodó: Um Cris Barros vermelho, comprado para a formatura do Gui, que já foi usado por mim e por amigas queridas, que certamente viveram momentos ótimos com ele!

Pra mim isso é o que importa, imagine com quanta energia boa essa peça volta? Uma mulher que se sente linda é capaz de transmitir tanta coisa maravilhosa e eu recebo tudo isso de volta, quando o vestido ou o casaco retornam. Por exemplo, emprestar um casaco de lã pra uma amiga que está indo pela primeira vez pra Europa, é um privilégio! Imagine a alegria dessa pessoa com o seu casaco?

Sei disso porque já fui muito feliz, com roupas das minhas primas Ana Maria, Ana Lúcia, Juliana e Maria Fernanda! Tive momentos inesquecíveis com brincos e bolsas da minhas tias Zélia, Lelé,  Nini e Eliana. E particularmente, agradeço a minha irmã mais velha, que veste quase o mesmo manequim que o meu, calça 36 como eu, principalmente tem o gosto igual ao meu e me empresta tudo com a generosidade de quem sabe que está sendo uma espécie de fada madrinha pra mim que acabo me transformando numa verdadeira Cinderela!

Boa quinta a todos!!!

Bj Mari