Um Lugar Chamado Notting Hill

Um filme não precisa ser romântico para nos lembrar de uma história de amor. Mas quando ele é romântico, fica muito mais gostoso relembrar.

Um torcicolo me tirou da rotina, me colocou de cama e de frente para a Tv, onde para minha surpresa está passando: Um lugar chamado Notting Hill, a história de uma atriz de Hollywood (Julia Roberts) que se envolve com o dono de uma livraria (Hugh Grant) nesse cantinho de Londres?

O roteiro não tem nada a ver com a minha vida, nem nunca teve, mas me fez lembrar de uma jornalista de Tv que se apaixonou perdidamente por um delegado de polícia e numa das primeiras vezes em que saíram juntos, assistiram a esse filme. Na sala do cinema eles ficaram de mãos dadas o tempo todo e na saída, ele comprou um CD, com a música tema do filme, pela qual a jornalista ficou hipnotizada! Aliás, a trilha sonora do filme é sensacional!

Isso faz parte do começo de uma grande história de amor pra mim! Eu tinha 26, ele 42. Eu com filhos com idades entre 6, 2 e 1ano, ele disposto a assumir tudo e todos.

Pra dificultar precisei me mudar para outro estado por causa do trabalho, mas ele se desdobrava para me apoiar e me amar numa fase em que nem eu acho que merecia tanto amor.

Repórter, sem tempo pra nada, rotina maluca, três crianças e tudo o que elas são capazes de oferecer para enlouquecer qualquer pessoa. Tive ainda um câncer? Ele estava lá, o tempo todo.

Vencemos quase tudo juntos, me sentia capaz de tudo ao lado desse homem. Mas faltava em mim algo que era vital pra ele?

Meu amor, queria um quarto filho. Clinicamente eu não poderia mais, emocionalmente estava exausta com as crianças. Abri mão, para que ele realizasse o maior sonho da vida dele.

Coisas do amor, que tudo suporta! Nunca mais nos vimos, sei apenas que se casou, teve filhos e está muito feliz. Isso me basta, nossa história nunca vai morrer e será sempre lembrada com saudades e a certeza de que foi tudo de verdade, sem roteiro, sem câmeras, só a vida? Que diga-se de passagem, tem sempre razão.