Um ninho vazio

No dia 8 de janeiro fomos (esposa e eu) à Joinville visitar os pais dela. Eles moram em uma casa e no terreno há muitas árvores e também muitas aves. No dia seguinte a chegada eu notei que num espaço entre o telhado e a parede de um rancho da casa do vizinho havia um ninho de ave. Ao observar melhor o ninho eu percebi que era um ninho de rolinha. Daí em diante eu fiquei por uma semana acompanhando este casal de rolinha que haviam chocado dois ovinhos, dias ou semanas antes  de nossa chegada.

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Consegui fotografa-los por vários dias. Acompanhei o desenvolvimento dos filhotes até a saída deles do ninho. No primeiro dia de observação as penas ainda não estavam bem formadas. Depois os filhotes foram crescendo e desenvolvendo as penas.

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Os pais rolinhas se revezavam no ninho para cuidar dos filhotes. Só fui me dar conta de que ambos cuidavam de suas crias ao ver as fotos. Não consegui fotografar os filhotes se alimentando. Acho que eles comem muito cedo ou eu acordava muito tarde. Em outros horários também não percebi que se alimentavam.

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Vez ou outra os filhotes ficavam sozinhos no ninho e os pais por perto vigiando.

Num certo dia um dos filhotes havia desaparecido. Não sei se já estava em condições de sair pelo mundo ou tentou voar e não sobreviveu. Só sei que meu sogro comentou que havia achado uma rolinha morta no quintal. O outro filhote permaneceu por mais alguns dias no ninho.

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Quase que coloco tudo a perder. No quinto dia de observação eu resolvi filmar o filhote. Acabei chegando muito perto e ele saiu voando do ninho. Voando não é o termo mais apropriado, pois, na verdade, ele se jogou do ninho e foi meio que planando até uma árvore próxima. Fui até a árvore e ele tentou voar novamente e só conseguiu chegar até um pé de babosa que estava a meio metro da árvore. Para não assustá-lo sai de perto e fiquei observando-o por mais de hora. Não havia jeito dele sair de lá. Quando resolveu voar de novo mal conseguiu subir alguns centímetros e teve que aterrissar num galho mais abaixo. Não me contive. Fui até ele, peguei-o e o devolvi ao ninho. Ufa! Se não conseguisse devolve-lo ao ninho ficaria com a consciência pesada.

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Seis dias depois de eu ter descoberto o ninho os pais rolinhas levaram o filhote remanescente para o seu treinamento. O filhote tinha que ser preparado para enfrentar o mundo. Flagrei o casal com o filhote num pé de figo que fica na casa do vizinho. De tanto olhar para a casa do vizinho eu acho que ele ficou desconfiado. Foi legal ficar observando o treinamento. Flagrei o danadinho escondido no meio das folhas.

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Os pais rolinhas voavam entre os galhos e o filhote sempre que podia caminhava pelos galhos até os pais. Acho que a intenção dos pais era para que o filhote voasse. Ai eles foram para o telhado da casa. Lá foi o filhote atrás. Desta vez voando. No telhado um deles (não sei se o pai ou a mãe) voou um pouco mais para cima. Lá foi o filhote andando atrás. Ai não teve jeito. Voltaram para o pé de figo. Hora do descanso.

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Encerrado o descanso o treinamento foi no chão. Agora é hora de aprender a procurar a comida. Lá estava o filhote vasculhando o chão do quintal do vizinho. Mal sabe ele que embaixo do limoeiro da casa do sogro todo dia tem banquete. Meu sogro e a minha sogra colocam, diariamente, milho picado para servir de comida para as rolinhas.

Ainda vi de relance o filhote sozinho no ninho certa vez. No dia que viemos embora o ninho amanheceu vazio. Saíram para leva-lo um pouco mais longe para mostrar-lhe como é o mundo ou ele já estava pronto para desbravar sozinho, pelo, menos as redondezas.

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E foi assim a vida de um casal de rolinha, com dois filhotes, durante uma semana que fiquei na casa do meu sogro e da sogra.