Um novo mundo do trabalho no século XXI

Empregabilidade

O mercado de trabalho sofreu uma significativa transformação em relação as últimas décadas. A economia brasileira mudou e mudaram os paradigmas que norteavam as pessoas que compõem o universo do trabalho. Cada um de nós teve e tem que se adaptar às novas realidades para mantermos nossos empregos.

A verdade é que o emprego formal, no modelo conhecido nas décadas de setenta e oitenta do século XX, está em pelo declínio. Como assim, se as estatísticas apontam um aumento considerável nos empregos formais gerados nos últimos tempos no Brasil?

O que acontece é que cada vez mais as novas gerações atuarão em outro modelo, e haverá sim muito trabalho. O que está em curso no país é uma transformação que modifica as relações laborais e cada vez mais pessoas trabalham de modo autônomo, como consultores, “freelancers“, empreendedores. O padrão de 44 horas de trabalho semanais ainda subsiste, mas tende a se modificar. Muitas empresas já negociam as horas trabalhadas e muitos profissionais atuam em três, quatro empresas ao mesmo tempo. Nas áreas de informática, design, jurídica, recursos humanos, marketing e em áreas estritamente técnicas, isto se torna cada vez mais comum. Mais e mais profissionais tornam-se prestadores de serviços, e são mentores das próprias carreiras.

Os pais se preocupam; esperam que os filhos possuam carteira assinada, estabilidade, direitos trabalhistas assegurados. Os concursos públicos atraem pela segurança que proporcionam. Não há problema nenhum em querer aderir a este modelo, mas o novo perfil de profissionais que saem das universidades e cursos técnicos se adapta cada dia mais a padrões de maior flexibilidade em um modelo em que cada pessoa é responsável pela própria carreira. Obviamente cada indivíduo possui necessidades muito particulares e cada um tem que encontrar o que é mais adequado para si. Muitos sentem a necessidade de contratos trabalhistas que lhes assegure maior estabilidade.

Uma grande questão contemporânea é que a tal estabilidade inexiste, muito poucas pessoas tem hoje empregos seguros, vivemos num mundo volátil, em que as coisas pouco perduram. São raros os profissionais que permanecem dez ou quinze anos na mesma empresa e isto já nem é mais considerável ou desejável, uma vez que as empresas e profissionais precisam de tempos em tempos arejar o ambiente com novas ideias e novos desafios. O que não significa pular de galho em galho a cada um ou dois anos (o que sugere dificuldade em manter vínculos), mas as empresas já valorizam profissionais que trazem na bagagem experiências anteriores e não se importam, como anos atrás, que um profissional de trinta e cinco anos tenha três ou quatro empresas em seu currículo.

Outra mudança se refere aos empregos gerados nas empresas de pequeno e médio porte. Os alunos são preparados para trabalhar em grandes empresas, multinacionais, e isto é um equívoco. Este é o sonho da maioria dos formandos, mas não é a grande realidade do mercado de trabalho. Os processos seletivos para vagas nestas empresas, os critérios de entrada são rígidos e o número de vagas é pequeno em comparação com empresas de porte menor. Empresas de pequeno porte representam excelentes portas de entrada para profissionais inexperientes, que precisam aprender. A diferença salarial é insignificante e a possibilidade de crescimento em empresas pequenas é maior que em empresas de grande porte, em que o profissional disputa o cargo com dez, vinte pessoas. É muito mais fácil aparecer e ter seu trabalho reconhecido em uma empresa de setenta funcionários do que em uma de mil.

Ser empregável hoje é sinônimo de não acomodação. Estar sempre atento às novas possibilidades de sua área, cultivar os contatos de trabalhos anteriores, atualização constante, conhecer sempre gente nova. Participar de eventos na área, ver e ser visto. Trabalhar arduamente e ter competência ainda é importante, mas não é mais suficiente – no novo mundo do trabalho, as pessoas precisam saber quem você é e o que você faz.