Um salto para os Anos Dourados

Vivia-se os Anos Dourados. Nas rádios Celly Campelo emplacava Estúpido Cupido, em primeiro lugar de todas as paradas de sucessos brasileiras, enquanto nas festas todos dançavam o rock n? roll e o twist.

Dos cinemas, os jovens começavam a imitar James Dean e sua juventude transviada, com seus topetes desalinhados e suas roupas trazendo a marca da rebeldia nas jaquetas de couro e calças jeans surradas.

Em Niterói, um outro ponto de encontro agitava os jovens. Na altura da Rua Lopes Trovão, montado na praia de Icaraí, o trampolim de cerca de 20 metros com suas asas abertas simbolizava a liberdade do modo de vida sonhado por todos ali.

tranpolim3Demolido há quase 50 anos por oferecer perigo aos banhistas após ter sua estrutura comprometida pelas fortes ressacas, o trampolim vai voltar a agitar as areias de Icaraí nesta sexta e sábado, dias 27 e 28 de setembro, quando Niterói vai receber a penúltima etapa do Cliff Diving World Series, uma competição de saltos partindo de uma plataforma de 27 metros de altura, equivalente a altura de um prédio de oito andares.

No salto, os atletas atingem velocidades superiores a 85 km/h, chegando à água em apenas três segundos, período no qual devem realizar inúmeros giros e manobras. Como nos Anos Dourados, quanto mais radical, melhor!

O ?topetudo? do momento é o britânico Gary Hunt, líder do ranking com 120 pontos de vantagem sobre o russo Artem Silchenko. O Brasil estará representado pelos paranaenses, radicados na China, José Wilker e Jucelino Alves, este último profissional do House of Dancing Water, um dos maiores shows aquáticos do mundo.

Blake Aldridge - Action

Mais importante do que o resultado da disputa - que tem características de show para promover o posicionamento de marketing da Red Bull, sem grandes pretensões de se firmar como esporte regular - será reviver um pouco da época em que os jovens lotavam a praia de Icaraí e juntos sonhavam com voos bem altos, mesmo que este momento dure apenas três segundos!