Uma história protagonizada pelos médicos do Brasil

Como é crônica a situação do Brasil. Todo assunto que vira pauta, quando esmiuçado, os problemas tendem a aparecer. Cada um trabalha sua conclusão em cima dos inúmeros defeitos que a nossa história, a história do Brasil se encarregou de construir.

Quando pensados, discutidos, mastigados com exaustão, todos os problemas se mostram extremamente superáveis, só depende de boa vontade. O inicio da solução ao câncer da saúde no Brasil está longe desta superação, entretanto, o intercâmbio interno de nossos médicos poderá lançar bons frutos.

A nossa cultura nos ofereceu muito do bom, porém nos instituiu inúmeros ressaltos ruins. Como prova, possamos definir a histórica tradição de algumas profissões, aqui representadas pela medicina, que a muito tempo contamina e assim impede o interesse desprendido de muitos dos seus habilitados.  Inverteram-se os papéis, ao invés dos nossos doutores estimularem-se ao desempenhar com fervor e honra uma grande profissão, eles ? nem todos, obviamente ? vem se utilizando do jaleco branco para se destacarem socialmente na comunidade. Esta, cumplice, cumpre seu pequeno papel de valorizar incessantemente essas decrescentes ações.

Ser médico no Brasil, felizmente para muitos ainda, é sinônimo de salvar vidas com decência, de tratar um ser, independente de quem for, com carinho, simplicidade, atenção; ser médico no Brasil, principalmente para os graduados e graduandos de hoje, é simplesmente dizer que é, ser chamado de doutor, como a cultura nos ?obriga?, e ser apontado por todos ? ele é médico!

O que acontece hoje, como medida institucional, cabe exatamente como um recado crítico ao comportamento dos profissionais brasileiros de uma ciência linda, que prega em sua cartilha o carinho contínuo e compaixão aos enfermos, sem distinção de classe ou raça e independe da estrutura que nossos governos mal instalam. Isso é ser médico!

A ausência de estrutura é enorme, habita boa parte dos hospitais e precisa de uma atenção muito maior de nossas autoridades, todavia, temos problemas além, sabemos que quando esta estrutura existe, o tratamento e relacionamento dos nossos médicos com seus colegas de outras profissões da saúde e, principalmente, com pacientes não é bom e se deteriora em escala quando estes são vulneráveis socialmente.

Existem profissionais fabulosos, condizentes com o desafio e realidade que um profissional de medicina se compromete a enfrentar no juramento. Estes nossos bons médicos devem sim disseminar o espírito fraterno da medicina, não com a responsabilidade ou obrigação de salvar o mundo, mas simplesmente com o dever de sensibilizar-se com os trajetos de uma profissão tão complexa e compromissada, a que lhe foi conferida por livre vontade.

Por fim uma lição: ao ser questionado sobre as enchentes de vaia e coros de ?escravo? jorrados pelos profissionais de medicina brasileiros, logo na entrada do primeiro dia de curso aos profissionais estrangeiros, o médico cubano Juan Delgado foi sucinto, ?Não entendo o motivo da hostilidade dos colegas brasileiros, já que estou aqui para ser escravo da saúde e dos pacientes doentes pelo tempo que for necessário?.