UMA VIDA INTEIRA!

Sempre que penso nessa expressão, imagino uma pessoa de 100 anos, dona de um conhecimento e uma vivência inigualáveis, histórias mil para contar.

Mas não é bem assim. Por exemplo, se meu pai, tivesse vivido apenas até os 15 anos, seria exatamente essa pessoa. Levado, destemido e bonito desde que nasceu, ele emendaria uma história na outra, mal conseguiria respirar. Os sete irmãos não teriam nem a metade dos causos que ele tem para contar.

Nesse fim de semana, tive o prazer de vê-lo aos quase 70 conversando com meu filho mais velho, hoje aos 19. Primeiro acompanhei à distância, o entrosamento era tanto, que decidi me aproximar e de fato a prosa era das melhores.

Meu pai torna tudo mais interessante, mais divertido, mais real, ele é um tipo de testemunha ocular, sempre vivendo, aprendendo e ensinando. Juízo?Ele não tem nenhum e lá no fundo é disso que se orgulha. Esse é o diferencial.

O único problema é que como dizia minha avó, mãe dele, ??A folha não cai longe da árvore.?

E a folha que caiu mais perto dele, foi a minha irmã mais nova. Se tivessem nascido no mesmo dia, não seriam tão parecidos. Queridos, entusiasmados, alegres, livres, inconsequentes, insolentes, explosivos, solidários, fiéis, verdadeiros, arteiros, irresistíveis e proibidos de crescer!

Minha irmã, tem 32 anos, aos 20 já tinha uma vida muito mais movimentada do que a de muitas pessoas de 60. Expulsa da escola na primeira série, repetente ainda no ginásio, conhecia todas as praias do litoral paulistas, arrastava multidões de amigos, festejava tudo e logo engravidaria, entrou para a faculdade, mas não se prendeu, viveu como quis.

Diante de tanta liberdade, conquistada a qualquer preço, ela fez várias escolhas que hoje, entre outras coisas a deixaram presa a uma cama e uma máquina de hemodiálise. O futuro está em risco, entre um pingo de alegria e outro que vejo dentro dela, me pergunto: Vale a pena? Acredito no viver intensamente, mas como diriam os Titãs: É preciso saber viver!

Quero dentro de mim, uma pouco do meu pai, uma pitada da minha irmã caçula e dos outros três, um bocado da minha mãe e que o restante eu possa saber escolher, somando a minha experiência de vida e o que o meu coração indicar!